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Trump e Ottawa decidem estratégia de caças do Canadá

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A definição da estratégia de caças de combate do Canadá está em uma fase crítica. Uma proposta da empresa sueca Saab ganha força significativa em Ottawa.

A decisão final, no entanto, está intrinsecamente ligada a dois fatores:

  • A avaliação do comportamento do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
  • Uma teoria interna apelidada de TACO.

Este cenário complexo mistura interesses industriais, compromissos militares pré-existentes e a imprevisibilidade da política externa americana recente.

O cenário atual em Ottawa e a teoria TACO

Dentro do governo canadense, diversos ministros do gabinete estão na expectativa de que a teoria TACO – sigla em inglês para “Trump sempre recua” – ainda seja válida.

Essa crença interna parece ser um fator psicológico e político que influencia as deliberações sobre a aquisição de novos equipamentos militares.

Negociações com a Saab avançam

Enquanto isso, as negociações com a empresa sueca Saab avançaram consideravelmente nos últimos meses.

De acordo com um político sênior próximo à ação militar que conversou com o jornal The Globe, as chances de um acordo com a Saab subiram para 85%.

Esse número representa um aumento substancial em relação aos 50% ou menos que eram estimados antes do último outono.

Detalhes da proposta sueca

A empresa sueca de aeronáutica apresentou uma proposta para construir seu caça Jas 39 Gripen da série E e sua aeronave de vigilância militar GlobalEye diretamente no Canadá.

Um jato de demonstração do Gripen E-series está atualmente na cidade de Lindköping, na Suécia, servindo como referência tecnológica. A oferta de produção local é um atrativo industrial importante para o governo canadense.

Compromissos prévios com os Estados Unidos

Paralelamente às negociações com a Suécia, o Canadá mantém um compromisso firme e caro com os Estados Unidos.

O país já realizou um pedido formal por 88 caças stealth de fabricação americana, os F-35. Desse total, a nação norte-americana já pagou por 16 aeronaves e é obrigada a recebê-las, independentemente de outras decisões que venham a ser tomadas.

Essa dupla realidade coloca Ottawa em uma posição delicada:

  • De um lado, um novo acordo potencialmente vantajoso com a indústria europeia.
  • Do outro, um contrato já assinado e parcialmente pago com o principal aliado e vizinho.

A gestão desses dois fios será crucial para a coesão da futura frota de defesa aérea.

O peso da relação com os Estados Unidos, portanto, não se limita apenas ao aspecto contratual, mas também ao político e estratégico.

A sombra da política externa de Donald Trump

A teoria TACO, que alguns em Ottawa esperam que ainda se mantenha, será posta à prova pelos eventos recentes da política internacional.

Registros das ações do ex-presidente Donald Trump sugerem um padrão de assertividade em cenários de conflito que contraria a noção de que ele “sempre recua”.

Exemplos de assertividade de Trump

Em relação à Venezuela, por exemplo, Trump não recuou em sua ameaça de remover o presidente Nicolás Maduro do poder.

Essa postura firme em um assunto complexo do hemisfério ocidental demonstrou uma disposição de levar adiante promessas consideradas difíceis por muitos analistas.

No cenário do Oriente Médio, as ações foram ainda mais diretas:

  • Trump enviou uma armada naval a uma distância considerada de ataque do Irã.
  • O ex-presidente chegou a declarar publicamente que poderia lançar um ataque contra o país persa.

Esses episódios, que mostram uma tendência à ação em vez de recuo em questões de segurança nacional, alimentam dúvidas sobre a premissa central da teoria que alguns ministros canadenses ainda consideram.

A fluidez da situação internacional, portanto, adiciona uma camada de incerteza ao processo decisório em Ottawa.

O caminho à frente para o Canadá

A decisão final sobre a estratégia de caças do Canadá, portanto, não será tomada em um vácuo.

Ela resulta da interseção de três vetores principais:

  1. O avanço técnico e comercial das negociações com a Saab.
  2. Os compromissos financeiros e estratégicos já assumidos com os Estados Unidos.
  3. A avaliação de risco sobre o comportamento de atores internacionais-chave.

A aparente contradição entre a esperança em Ottawa na teoria TACO e os exemplos recentes de assertividade de Trump na Venezuela e no Irã cria um paradoxo para os planejadores.

Se a premissa do “recuo” estiver errada, cálculos sobre garantias de segurança e parceria futura podem precisar de revisão.

O aumento das chances do acordo com a Saab para 85% sugere que fatores além da relação bilateral com os EUA estão pesando na balança.

A proposta de industrialização no Canadá, o desempenho técnico do Gripen E e considerações sobre diversificação de fornecedores de defesa parecem estar ganhando força.

O desfecho deste processo definirá não apenas a composição da frota aérea canadense para as próximas décadas, mas também enviará um sinal sobre a direção das parcerias estratégicas do país.

A interação entre cálculo doméstico, oportunidade industrial e leitura da política internacional nunca foi tão evidente em uma aquisição de defesa.

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