
Álcool lidera ranking de danos no Canadá
Um estudo nacional inédito no Canadá classificou o álcool como a substância psicoativa mais prejudicial do país. Publicado no Journal of Psychopharmacology, a pesquisa analisou 16 drogas comumente usadas.
O álcool recebeu a pontuação mais alta: 79 em uma escala de danos. Em seguida, aparecem:
- Tabaco: 45 pontos
- Opioides sem prescrição: 33 pontos
- Cocaína: 19 pontos
- Metanfetamina: 19 pontos
- Cannabis: 15 pontos
O trabalho foi liderado por especialistas do Centro de Vícios e Saúde Mental. É o primeiro do tipo no país a usar análise de decisão multicritério, que considera múltiplas formas de prejuízo.
Metodologia da pesquisa
Um painel de 20 especialistas pontuou as substâncias em uma escala de 0 a 100 para cada tipo de dano. As descobertas são consistentes com estudos realizados em outras jurisdições.
A pesquisa avalia as drogas em 16 tipos diferentes de danos, incluindo:
- Prejuízos físicos e mentais
- Danos à saúde, morte e dependência
- Adversidades familiares e sociais
- Custo econômico geral
Essa abordagem abrangente permite uma visão mais completa do impacto das substâncias na sociedade.
Dominância em múltiplas categorias de dano
O álcool ficou em primeiro lugar em nove das 16 categorias analisadas. Entre elas, estão:
- Danos relacionados à saúde física
- Abstinência
- Comprometimento de curto e longo prazo do funcionamento mental
- Perda de bens materiais
- Perda de relacionamentos
- Lesões
- Adversidades familiares e sociais
- Custo econômico
Essa dominância reflete a amplitude do impacto da substância, que vai além dos efeitos no indivíduo que consome.
Danos a terceiros e custos econômicos
O estudo também considera os danos a terceiros. Uma pesquisa de 2023 do Centro Canadense sobre Uso de Substâncias e Vício descobriu que o álcool custa à economia canadense cerca de 19,7 bilhões de dólares anualmente.
Esse valor representa aproximadamente 40% do total dos custos causados pelo uso de substâncias. O dado ilustra como as consequências se estendem para toda a sociedade.
JF Crépault, um dos envolvidos na discussão, afirmou: “Nossos departamentos de emergência frequentemente funcionam quase como um centro de triagem para pessoas que estão lá porque estão intoxicadas por álcool”.
Desconexão entre riscos e regulamentação
As descobertas revelam uma desconexão entre os riscos inerentes do álcool e a forma como ele é regulamentado no Canadá.
Dr. Tim Naimi destacou essa questão ao comentar: “Em Ontário, nós simplesmente normalizamos o álcool estar em absolutamente todo tipo de loja que vende produtos alimentícios ou bebidas embaladas”.
Essa ampla acessibilidade contrasta com a gravidade dos danos identificados pela pesquisa.
Consumo cultural versus regulamentação
JF Crépault acrescentou: “As pessoas têm apreciado o álcool por milênios e ninguém está dizendo que isso precisa parar. Ao mesmo tempo, há consequências reais para a forma como você regula ou não regula o álcool”.
Essa fala ressalta o equilíbrio necessário entre o consumo culturalmente enraizado e a necessidade de políticas que mitiguem os danos.
O álcool foi apontado como a droga mais prejudicial não apenas pelos danos que causa ao corpo, mas também por quão acessível e prevalente ele é.
Impacto de outras substâncias psicoativas
Algumas drogas no estudo, como cocaína e metanfetamina, “superam seu peso” em sua pontuação geral de dano. Isso significa que causam um impacto desproporcionalmente alto por usuário.
Em contraste, o álcool, devido à sua ampla prevalência, acumula danos em grande escala.
Abordagem holística para políticas públicas
A pesquisa avalia as drogas com base em critérios que vão desde danos à saúde até custos econômicos. O método de análise multicritério permite uma comparação mais justa entre substâncias com perfis de uso distintos.
Essa abordagem ajuda a informar políticas públicas que possam abordar tanto os danos generalizados quanto os localizados.
Em resumo, o estudo fornece evidências robustas para repensar a regulamentação do álcool no Canadá. As descobertas servem como um alerta para a sociedade e os formuladores de políticas.



































